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| Dias 5, 6 e 7 de Agosto Dia 5 de Agosto, último dia da excursão Coast to Coast – Eastern segment. Uma viagem desde Harrisonburg, onde pernoitámos, até Washington DC. As paisagens continuam idênticas às de véspera: floresta a cobrir toda a estrutura geológica dos Apalaches e a suavizar e obliterar parcialmente a morfologia característica. Uma imagem de satélite ou um MDT, ou até uma carta geológica ou uma simples carta topográfica são mais elucidativos que uma viagem a 70 (milhas) à hora. Claro que o Shenandoah Valley, a Blue Ridge ou as Washington Mountains são impressionantes pelo contraste de relevo e pelos alinhamentos sistemáticos, que sabemos serem paralelos à direcção geral da cadeia, mas apenas um ou outro talude da estrada mostra a estrutura das rochas e permite conferir a sua consistência com a paisagem. De qualquer modo, já sabíamos que neste último dia o programa geo-espeleo dava lugar ao programa cultural e o objectivo era o Mall na baixa de Washington e, particularmente, o Smithsonian Museum of Natural History. A chegada a Washington em hora de ponta foi como se esperava e como não se desejava: avenidas cheias e silos de parqueamento lotados. Mas a viagem de metro até ao centro foi relativamente rápida: 1 hora desde Vienna/Fairfax até à Independance Avenue! O Museu estava a abarrotar: famílias inteiras, e aqui as famílias são à grande e à americana; escolas inteiras, e aqui os pequenos são à grande e à americana; excursões inteiras, e até já os japoneses e chineses se começam a assemelhar a estes descendentes de europeus que ocuparam as grandes pradarias, desertos e montanhas e estabeleceram essa estranha forma de crescer, essa conhecida e velha forma de se expandir… Com tal invasão de visitantes, em menos de um fósforo o nosso reduzido e pacato grupo de ficou completamente desfeito e, embora a espaços nos cruzássemos, cada um foi vendo aquilo a que objectivos sedimentados, a curiosidade ou o acaso os empurravam. Mas o museu é de facto grandioso, e um dia não é suficiente. Nem sequer para a área da geologia. A arqueologia, os solos, a biologia, etc., merecem cada uma um dia. Aqui, com tempo, é possível recuperar cultura perdida. Ali está toda a evolução. Razão têm os colegas Galopim e Barriga em querer continuar a lutar pela manutenção de alguma dignidade para o Museu de História Natural da Universidade de Lisboa, e tantos outros seriam necessários nesse Portugal enleado na moda da regressão. Avaliada a impossibilidade de ver tudo, mais uma vez “foi decidido” voltar cá, como tão bem sabemos fazer com as nossas grutas. E guardámos alguma, já pouca, ligeireza nas pernas para dar uma espreitadela ao Capitólio, Museu do Índio Americano, Museu da Escultura e outros monumentos que descobríamos de passagem. À noite, num restaurante tipicamente Texano, fizemos uma despedida mais ou menos regada (nada de ficar com o “nariz branco” como os morcegos), lacrimosa e fumada. E lá voltámos a prometer ir à Austrália, a Cuba, à Noruega, …. Pois, “a Ordem é grande e os frades são ricos”, como dizia a minha tia-avó, Que deus tem. Para o dia seguinte, 6 de Agosto, ficaria a visita ao rio Potomac, à Casa Branca, ao Obelisco, ao Memorial de Lincoln, numas horitas a correr antes de partir para o aeroporto. Atravessar o oceano contra o sentido de rotação da Terra é canja e em escassas 6 horas, ao som de Leonard Cohen (“Democracy is coming to the iU esSe Aei”, “First we take Manhattan, then we take Berlin”) estávamos, eu e a minha cara-metade Pilar, em Londres, voo nocturno (em honra do Jorge Palma). Depois, fácil, passa um dia, é 7. Um saltinho e de novo a paisagem esgravatada e escarafunchada deste país de barrosentos em bicos de pés e com o dedo no ar (“senhora professora eu sei”, “senhora professora foi aquele menino”). Em pesadelo quase real, vejo por entre as nuvens hordas de autarcas, cada um ao comando do seu bulldozer, a abrir rotundas, variantes e parques industriais, e ministros rodeados de empresários de emblema partidário na lapela a inaugurar PIN’s e parques eólicos nos Parques Naturais. Desculpem ter escrito tanto, mas hoje havia mais fotos do que nos outros dias, não há nada para fazer no avião, e o tipo do lado julga que lá por eu ser trinca-espinhas tem direito a ocupar metade do meu lugar, por isso a ideia de escrever ao computador foi excelente pois, de cotovelada em cotovelada, lá o conseguir fazer recuar para as fronteiras oficiais. Além disso, estou farto de crónicas chatas. Podem cortar o que acharem que não serve para nada (excepto se ainda não tiverem descendência). Esta brejeirice? Claro, é porque amanhã é sábado (como dizia Vinicius de Moraes), dia 8, e a sina que me espera é estar em MV a arrastar teimosas e trôpegas garrafas de mergulho, a desenhar marmitas e vagas de erosão ou a descer 300 metros no Chou do Vale… |
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