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Dia 8 de Julho
No ar para Londres, lamentando que apenas um hipotético ser, ou não ser, neste universo, ou para além dele, tenha o dom da ubiquidade, vejo passar debaixo dos meus pés as já saudosas serras calcárias do nosso Portugal. Como gostava de também ter podido ficar com os companheiros de exploração, talvez a passar para além dos 300 no Chou do Vale ou a ligar o Regatinho ao Almonda… Mas estou a caminho de Los Angeles com a Pilar, para iniciar amanhã, dia 9 de Julho, a primeira etapa da visita de campo às regiões cársicas do oeste americano, integrada no 15º Congresso Internacional de Espeleologia. Afinal, vista daqui de cima a Terra não é azul e as terras de que gostamos estão a ficar cada vez mais brancas. As serras de Alenquer e da Ota estarão em breve ligadas por um corredor de pedreiras que nem o canhão do rio da Ota respeitarão. O Planalto de Santo António vai aos poucos aumentando as suas auréolas de destruição. Parques eólicos, estradas ao acaso e até aeroportos clandestinos lavram novos sulcos amarelados pelos cabeços outrora sossegados e selvagens. Em Londres o voo passa de norte-sul a este-oeste. A verde Irlanda, a Terra Nova e a Gronelândia vão ficando para trás. Já bem dentro dos Estado Unidos, o quadriculado das grandes explorações cerealíferas acaba por dar lugar às Montanhas Rochosas, com relevos variados mas de que sobressaem os tabulares e monoclinais. Os relevos do Utah e o Grand Canyon ficam ainda na memória quando, a 12000 m de altitude e a 900 km/h começamos a descer para a Califórnia. Já em Los Angeles espera-nos Tom Strong, um dos incansáveis organizadores da visita e avisa-nos que amanhã, com ou sem jet-lag, o pequeno almoço é às 6 e a partida às 7. Vamos a correr para o hotel cumprimentando ainda de passagem o Dieter Mucke e a esposa e ficando a saber que o nosso amigo Stein-Eric, que já não vemos desde o Brasil, está com problemas com os voos e ainda não chegou.
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