O Último Fôlego Enviar por E-mail
Escrito por Ricardo Nogueira   
Quarta, 18 Novembro 2009 15:31

O passado fim-de-semana de 7 e 8 de Novembro foi o derradeiro fôlego no Sifão das Areias. O assunto ficou arrumado por este ano. Digo último fôlego, porque a coisa foi complicada. Depois das descargas altamente poluentes, já aqui referidas, da fábrica de transformação de pimentão, a Galeria Grande ficou com um cheiro absolutamente insuportável e, pior, alojaram-se gases na parte mais baixa da galeria, ou seja, no sifão e na zona do poço. Desde a primeira descarga, em meados de Setembro, que os nossos objectivos de manter a zona transitável durante o máximo de tempo possível foram por “água” abaixo. No entanto, a ideia de perder todo o equipamento que lá estava instalado, com o Inverno à porta, estava a tirar-nos o sono. Há quinze dias atrás, de Major (a nossa bomba de 45 kg de puro metal) às costas, lá fomos nós rumo ao sifão. Iniciámos o bombeamento mas as condições deitaram por terra a nossa vontade e deixaram as nossas cabeças a estalar de dor pela falta de O2.

Assim, com a preciosa ajuda dos Bombeiros de Minde e dos Bombeiros de Mira de Aire, a quem agradecemos, obtivemos de empréstimo 4 aparelhos de respiração a que chamam “aricas”; são uma garrafa de gás comprimido com cerca de 12L e uma máscara integral, tipo guerra química. Assim equipados, juntamente com mais uns quilos de fatos de PVC, pontonières, e botas de pescador até ao peito, atacámos o dito. Entre gases tóxicos, lama mal cheirosa e valentes dores de cabeça lá conseguimos resgatar cerca de uma tonelada de mangueiras, cabos eléctricos, caixas de comando e bombas. Sempre sob o silvo estridente dos aparelhos de respiração que teimavam em nos asfixiar e em nos tirar por completo a visibilidade sempre que as máscaras embaciavam pelo nosso arfar aflito. As descargas fizeram também o agradável favor de arrastar grandes quantidades de areia que estava a jusante do sifão, estrangulando a passagem e sepultando as nossas bombas, cabos e mangueiras.

Ao senhor da fábrica de massa de pimentão: se ler estas linhas, fique sabendo que pensámos todos muito em si durante o fim-de-semana. Espero que tenha passado um fim-de-semana agradável no seu sofá….

O céu cinzento do Domingo de manhã desfez-se em aguaceiros pela tarde como que zombando do nosso trabalho de lavagem, à porta da gruta, dos quilos de lama e areia que vieram a agarrados ao nosso equipamento. Se ao menos chovesse a sério!...

Enfim, agora tudo repousa, lavado na nossa casa de apoio, como se nada se tivesse passado. Também a gruta continuará lá, durante muito tempo, depois de todos os fabricantes de massa de pimentão desaparecerem.


Os sem fôlego foram:


Delfim Machado
João Carvalho
João Guerra
José António Crispim
Luís Magro
Ricardo Nogueira
Vítor Leal

 

Sifao_das_Areias_com_esgoto

Sifao_das_Areias_com_esgoto

Sifao_das_Areias_com_Zona_da_recarga

Sifao_das_Areias_colocar_mascara

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