As grutas são um dos últimos testemunhos inalterados da Natureza, constituindo verdadeiras reservas naturais. Por isso, os espeleólogos devem assegurar a manutenção das condições originais, evitando que elas sejam alteradas desnecessariamente.

 

A Sensibilidade do Ambiente Subterrâneo

Uma gruta não é um simples túnel escavado na rocha calcária, vazio e escuro. Constitui um ambiente muito particular e único, sendo uma obra milenária da natureza.

O património subterrâneo é frágil e está em perigo, por isso terá que ser protegido. A menor deterioração que se pratique poderá significar um dano irreparável. Protege-lo é manter as suas características próprias inalteradas, ou modificar o menos possível o seu ambiente.

A sua protecção cabe a toda a sociedade e ao espeleólogo em particular.

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A Sombra dos Eucaliptos

A Sombra dos Eucaliptos Ameaça as Serras Calcárias de Portugal

Os eucaliptos roubam a água, escondem as paisagens e destroem os afloramentos. Os eucaliptos têm sido alvo de várias campanhas de defensores do ambiente, que põem em relevo a sua capacidade de exaustão dos aquíferos em virtude das grandes quantidades de água que consomem.

No entanto a florestação maciça (com eucaliptos ou outras espécies) tem dois outros impactos raramente considerados: a alteração da paisagem geomorfológica e a destruição dos afloramentos geológicos.

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Grutas e Morcegos

Para além da sua importância do ponto de vista geológico, as grutas apresentam um elevado interesse biológico por abrigarem comunidades animais peculiares.

Porque é importante falar dos morcegos
Das 24 espécies de morcegos existentes no continente, cerca de metade utiliza abrigos subterrâneos para se abrigar durante pelo menos parte do ano, estando algumas das espécies completamente dependentes destes meios. A importância ecológica dos morcegos é muito elevada, já que consomem diariamente dezenas de toneladas de insectos; tendo em conta que os insectos poderiam em alguns casos constituir pragas para a agricultura ou ser vectores de doenças, é fácil de compreender a importância económica que os morcegos também têm.

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Processo de AIA nº 2332 - Ampliação da Pedreira de Calcário Industrial Serra da Atouguia

Após apreciação do Estudo de Impacte Ambiental da Ampliação da Pedreira de Calcário Industrial Serra da Atouguia, a Sociedade Portuguesa de Espeleologia considera o seguinte:

1 - O vale epigénico do Rio da Ota, entre Atouguia das Cabras e Ota constitui um dos mais relevantes vales em canhão das regiões calcárias portuguesas.

2 - De acordo com as plantas apresentadas no Resumo não Técnico do Estudo de Impacte Ambiental supracitado a exploração da pedreira já avançou em direcção das encostas do vale do Rio da Ota, numa área não licenciada. Esta situação não deveria ter sido permitida pelas entidades responsáveis pela fiscalização da exploração e deverá pesar fortemente na decisão relativa a este processo de avaliação de impacte ambiental.

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Apreciação do Plano de Ordenamento do PNSAC (2009) pela Sociedade Portuguesa de Espeleologia e propostas de alteração

Introdução

Tal como na apreciação feita à versão de 2007 do Plano de Ordenamento do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, a Sociedade Portuguesa de Espeleologia reconhece o empenho dos técnicos do ICNB-IP que garantiram a qualidade da cartografia e dedicaram grande esforço à integração da informação produzida.

Infelizmente, de novo se reconhece que desígnios políticos que fazem tábua rasa dos estudos favoráveis à conservação da natureza ditaram o grande desequilíbrio a favor da expansão da indústria extractiva consignado neste PO, com prejuízo irreversível para os valores naturais do património espeleológico, geológico, geomorfológico e hidrogeológico.
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Apreciação do Processo de Avaliação de Impacte Ambiental 2062 “Parque Eólico de S. Bento”

Parecer enviado à Agência Portuguesa do Ambiente em 31/08/2009

Tem a Sociedade Portuguesa de Espeleologia, por diversas vezes, emitido pareceres sobre projectos de parques eólicos situados em região cársica, referindo questões técnicas, em geral de detalhe sobre aspectos parcelares das várias vertentes dos EIA desses projectos.

É objectivo principal sensu stricto da Sociedade Portuguesa de Espeleologia a exploração e estudo das grutas mas em vários desses pareceres chamou a atenção para a importância de relevar a geomorfologia das regiões cársicas que enquadram e suportam a paisagem em que as grutas se inserem.

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Apreciação do Estudo de Impacte Ambiental do Parque Eólico da Lourinhã I

Parecer enviado à Agência Portuguesa do Ambiente em 05/03/2009

Relativamente ao EIA acima referido cabe-nos comentar o seguinte:

1 - É com contrariedade que a Sociedade Portuguesa de Espeleologia assiste à sistemática e completa ocupação das regiões cársicas portuguesas por parques eólicos, sem que se vislumbre um assomo de sobriedade que assegure que há uma visão de conjunto diferente da simples análise individual de cada projecto como se fosse indiferente para as entidades com a máxima responsabilidade sobre o ordenamento do país e da conservação da natureza a exaustão dos recursos naturais. Um correcto ordenamento a micro-escala, conseguido em geral à custa de grandes esforços dos funcionários de base envolvidos nos processos de avaliação e de enormes gastos por parte das empresas, não consegue esconder a falta de uma política de planeamento a nível superior nem a falta de coragem e/ou de competências dos políticos ou quadros superiores, que deveriam garantir previamente um planeamento adequado a macro-escala.

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